Quatro Homens no Deserto

Do Livro de Pequenas Estórias de Tobias

ezopszichonegy_ember_a_sivatagban_DMP1218564555

 

Tobias: Nossa estória começa com quatro homens no deserto, em um tipo de prisão voluntária. Os homens estavam mo meio do nada, o sol os abatia todo dia.

O primeiro homem foi preso em um poste enterrado no chão profundamente. Era um poste alto e havia uma corrente que ia do poste aos seus tornozelos. A corrente tinha aproximadamente 2 metros de comprimento. Ele não podia escapar por causa desta corrente em volta de suas pernas. Cada vez que tentava escapar, ele se dava conta de que a corrente o estava segurando no lugar.

Próximo do segundo homem havia também um poste enterrado no chão, mas não havia correntes em volta de suas pernas. Em vez disso havia um grande poço, uma trincheira em toda a volta de seu poste e sua pequena porção de deserto. O poço estava cheio de crocodilos, e por isso ele sabia que não podia escapar. Assim dia após dia ele andava em círculos em sua pequena ilha no meio do deserto, reclamando, zangado, discutindo consigo mesmo. Mas seu medo dos crocodilos o mantinha ali.

O terceiro homem era um adepto da Nova Era. Ele também tinha um poste no centro, um grande poste de metal. Em volta do poste havia uma grande tira elástica, como uma grande faixa de borracha que estava presa e apertada em volta da sua cintura. Todos os dias ele tentava escapar. Ele puxava e esticava com seu corpo esta faixa de borracha e quando chegava um certo ponto a faixa de borracha o puxava de volta ao poste. Cada dia ele se levantava e balançava a cabeça e pensava “isso não foi engraçado, mas eu tenho que tentar me expandir de novo”. E a cada dia ele alcançava até o final da faixa de borracha e ela o puxava de volta, atirando-o de volta ao poste.

Havia o quarto homem. Ele também tinha um grande poste de metal, afundado no chão bem em volta dele. Mas não havia corrente em volta de sua perna, não havia fosso em volta de seu poste de metal, e nem faixa de borracha em volta de sua cintura. Mas ele ouvia vozes. As vozes diziam, “ Não ouse tentar fugir deste poste no deserto. Se você fizer isto, será consumido pelos espíritos malignos”. Cada vez que ele tentava dar cinco ou dez passos longe do poste ele ouvia as vozes e rapidamente corria de volta ao conforto e segurança de seu poste. O quarto homem vivia assim dia após dia, noite após noite, miserável, zangado, aprisionado neste cenário desértico.

Até que um dia um anjo veio até eles. O anjo disse, “Por que você tem esta corrente presa em volta de sua perna?” E o homem acorrentado disse; “Ela foi colocada aqui por outros. Ela não é minha. Eles me prenderam a ela. Isso me impede de crescer, me mantém limitado”. E o anjo balançou a cabeça e disse, “Hummm, que interessante”.

O anjo foi até o segundo homem, aquele com os crocodilos no fosso e disse:”Por que você escolheu isto? Por que você tem crocodilos cercando você? E ele disse: Estas são as coisas da vida. Estes são medos que me consumirão e me devorarão se eu tentar deixar minha pequena prisão aqui no deserto. Eu preferiria ficar aqui do que morrer nas bocas dos crocodilos”. E o anjo balançou sua cabeça e disse, “Hummm. Interessante”.

Ele andou até o terceiro homem, o da Nova Era com a tira de borracha em volta da cintura dele e disse: “ Agora, isto é muito peculiar, o que é isso?” “Esta é uma tira de borracha, ela foi colocada a minha volta pela consciência da humanidade. Cada vez que eu tento me expandir ela me puxa de volta e me atira ao poste. Eu suponho que este é meu carma. É o que fui destinado a fazer aqui na Terra”. E o anjo balançou sua cabeça: “Muito, muito interessante”.

O anjo foi até o quarto homem e disse: “Não há nada em sua volta, nada prendendo você no lugar. Por que você simplesmente não caminha para fora do deserto?” Ele disse:” Oh querido anjo, cada vez que eu tento, eu ouço estas vozes em minha cabeça. Elas me dizem que há perigo à frente, elas me dizem que serei consumido por estes seres invisíveis. Há demônios lá fora, sabia? Eu não desejo encontrá-los, porque eu não sei lidar com demônios, assim vou permanecer perto de onde é seguro”.

“Sabem”, disse o anjo, “Eu tenho a autoridade de deixar cada um de vocês livre. Eu posso cortar as correntes de seus calcanhares; eu posso retirar os crocodilos do fosso. Eu posso tirar esta estúpida tira de borracha de sua cintura; eu posso até fazer com que estas vozes parem de falar com você”.

Agora, vocês pensavam que esta seria uma estória com um final feliz. Todos os humanos ficariam livres e perceberiam como tudo isso foi tolo. Mas quando o anjo tirou as correntes e cortou a corda de borracha, eliminou os crocodilos e parou com as vozes, todos estes humanos ficaram loucos, bem ali no deserto! Eles não puderam lidar com isso. Eles estavam tão apaixonados por estas coisas que os mantinham naquele lugar que não puderam se mover para mais longe.

Se tivessem simplesmente caminhado uma pequena distância através do que percebiam como deserto, acima da pequena colina que se situava mais adiante de onde eles tinham se aprisionado, eles teriam visto que não era um deserto de maneira alguma.

Eles na verdade estavam em um campo de golfe, em uma armadilha de areia! Havia belas passagens abertas, arvores, a sede do clube, todos cuidados por seres angélicos e seres humanos, prontos para darem a eles qualquer coisa que quisessem! Eles poderiam ter seu próprio carrinho de golfe, poderiam ter quantas jogadas quisessem, poderiam se sentar naquele bar todo o dia e beber uma cerveja celestial, qualquer coisa que quisessem. Mas seus medos os seguraram no lugar.

Tão tolo quanto isso tudo pareceu a este belo anjo que os libertou, isso foi muito, muito real para os quatro homens. O deserto era real; as coisas que os mantinham no mesmo lugar eram reais; seus medos – seus medos do lado de fora e seus medos que podiam ser vistos como vindos de fora – eram todos muito, muito fortes, criando esta tremenda ilusão. Até o ponto que quando eles foram libertados, não sabiam como lidar coma liberdade; eles não sabiam como lidar com as verdadeiras escolhas. Eles não sabiam como lidar com a beleza da vida.

Eles tinham se colocado em sua própria prisão, é claro. Ninguém mais realmente encheu o fosso com crocodilos, ninguém fez aquele homem vestir a tira de borracha em volta de sua cintura; ninguém prendeu a corrente ao poste; e verdadeiramente não havia nenhuma voz falando. Mas os humanos tendem a fazer isto! Eles criam ilusões sobre a sua realidade.

Assim Shaumbra¹, este é um convite para cada um de vocês, para colocarem seus próprios medos bem longe. Este é um convite para darem uma olhada nas coisas que os estão retendo. Ouçam os anjos que vem ate vocês. Eles os convidam a se libertarem, a pararem de usar de desculpas, parar de se trancarem em sua própria prisão. Na verdade lá fora é muito lindo, mais alem deste pequeno deserto, também conhecido como armadilha de areia. É muito lindo. Vocês podem criar todos os tipos de coisas, mas não podem tentar prever a beleza da sua vida em potencial enquanto estiverem amarrados a um poste. Enquanto tiverem uma corda de borracha amarrada a sua cintura. enquanto se preocuparem com os crocodilos; ou enquanto ouvirem a voz de seu próprio medo. Quando estiverem consumidos pelo medo e limitação, vocês possivelmente não poderão imaginar o quanto vocês podem ser incríveis e o quanto a vida pode ser fácil e que a vida é uma alegria a cada momento.

Até mesmo sentados aqui, neste instante, nestas cadeiras, vocês possivelmente não podem imaginar em sua limitada mente humana, a incrível alegria e satisfação que vem de trabalhar com outros humanos que também desejam ser livres, onde vocês não tem que assumir os fardos. Vocês sabem, os psicólogos tendem a assumir a maior parte dos fardos dos outros humanos e então eles se sentem exatamente miseráveis. Mas quando estiverem lá fora ensinando, Shaumbra, vocês não tem que assumir as coisas de ninguém mais. O anjo que veio e libertou os quatro prisioneiros não colocou algemas em suas pernas; não colocou crocodilos a sua volta; certamente não se vestiu em uma tira de borracha; e não permitiu que as vozes externas o influenciassem.

Quando estiverem fazendo seu trabalho, não assumam os assuntos de outras pessoas. Honrem-nos e respeitem-nos. Se eles escolherem permanecer naquele poste com uma corrente em suas pernas, honrem-nos por isso e naturalmente peçam a eles para fazerem uma escolha. Ficarão surpresos com o que ouvem depois. Às vezes quando vocês dizem, “Você pode fazer uma escolha de libertar estas correntes em volta de suas pernas, o que se escolhe? Os humanos tipicamente começam com um “mas… mas… eu não estou certo, eu não sei”. A confusão começa.

Vocês possivelmente não imaginam neste exato momento, mesmo sentados aqui neste momento, os lindos panoramas da vida que estão bem a frente de vocês. O que parece ser um deserto é simplesmente uma pequena armadilha de areia na vida.

Canalizada na Escola das Energias Sexuais em Frankfurt 2006.
Tradução: Silvia Tognato Magini silvia.tm@uol.com.br

 

Fonte: Quatro Homens no Deserto por Tobias – Shaumbra News – Julho de 2008

¹ Shaumbra é um grupo de pessoas que fez a escolha: estar aqui na Terra, agora, para ajudar a ssustentar a luz de uma forma muito especial:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s