APRENDENDO A ACESSAR O SAGRADO MASCULINO A PARTIR DO SEU FEMININO…

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Um texto sobre o masculino

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Por: Gustavo Tanaka

 

Eu sempre fui mais baixo que os outros.

Sempre fui muito menor que quase todos os meninos da minha idade.

Também sempre fui mais fraco. Não tinha tanta força física.

Meus primos gostavam de brincar de luta. Eu nunca gostei.

Eu nunca gostei de bater em ninguém e por isso deixava me baterem para não precisar bater. Até mesmo meus primos mais novos me venciam nessas brincadeiras.

Entramos na adolescência e meu corpo tinha menos pêlo que dos meus amigos.

Eu tinha menos libido e pensava em sexo menos que eles.

Eu gostava de escrever. Eu tinha um caderno onde escrevia. Mas diário era coisa de menina. Então eu escondia na gaveta. Não na primeira, mas na terceira gaveta, embaixo de um monte de pastas, pra não correr o risco de ninguém descobrir.

Todo esse cenário me fez me sentir menos homem, menos macho que os meus amigos.

Some a isso o fato de eu ser meio gago na infância e imaginem o resultado disso na minha relação com as mulheres.

Não conseguia me aproximar, não conseguia chegar em mulheres.

Com isso, demorei para dar o primeiro beijo e para ter a primeira relação sexual.

Minha primeira namorada foi aos 27 anos.

Tudo isso foi moldando um personagem em mim.

Eu precisava beber muito. Bebia todos os finais de semana para conseguir preencher um vazio e para ter coragem de me relacionar com mulheres. Bebia para me tornar mais macho que meus amigos. Bebia mais para dizer que eu aguentava mais.

E a minha fuga era o trabalho. Porque no trabalha eu era bom. Eu me sentia forte e capaz no trabalho. Então me tornei um workaholic. Trabalhava muito. Apenas para ganhar dinheiro e ter prestígio e reconhecimento. O trabalho era minha forma de autoafirmação.

Até que chegou um momento em que meu corpo não aguentou mais. Chegou uma hora que minha alma se cansou, disse “basta!”. A vida me derrubou no chão e me acordou.

Eu despertei.

E após esse despertar eu comecei a me desconstruir. Me desconstruir fez eu acessar sombras e traumas de infância. Como essas que eu descrevi agora. E ao olhar para essas sombras, eu ia me libertando delas.

Eu chorava, como choro agora enquanto escrevo esse texto. Minhas mãos tremem um pouco enquanto tocam as teclas do meu computador, com medo de compartilhar essa minha história.

Ter contato com as minhas sombras, com minha vulnerabilidade, com minhas vergonhas me fez acessar a coragem.

A coragem me deu força.

Força para entrar no meu caminho. Para ocupar o meu lugar. Para fazer o que eu vim aqui para fazer.

Aos poucos eu fui lembrando.

E quanto mais eu lembro, mais coragem eu tenho.

Porque tudo passa a fazer sentido. Porque as peças se encaixam e a vida se manifesta de uma forma perfeitamente mágica. Eu começo a ver que nenhum encontro é por acaso, que nenhuma situação acontece sem ser orquestrada e que todas as pessoas que cruzam meu caminho são mestres a me ensinar.

A me ensinar sobre mim mesmo.

A me ensinar sobre quem sou eu e o que vim fazer aqui.

Mestres a me lembrar de quem sou.

E hoje eu sei.

Sei que não sou nada daquilo que me construi. Não sou aquelas máscaras que usava. Não sou menor que ninguém. Não sou mais fraco que ninguém. Não sou menos homem que nenhum homem. Não sou menos capaz que nenhum ser humano.

Eu acesso o Sagrado Masculino à partir da minha vulnerabilidade. Eu acesso o Masculino à partir do meu Feminino.

Você não precisa fazer nada para provar que você é homem. Você já é. É só se permitir ser.

Se você está lendo esse texto é porque tem um chamado pra você aqui, escondido nas entrelinhas dessas palavras.

Um chamado que não é meu. É da sua alma.

A sua alma quer fazer o mesmo. Quer que você desperte. Quer que você se desconstrua. Quer que você entre no seu caminho e ocupe o seu lugar.

Eu estou aqui para te lembrar de quem você é.

Estamos juntos, como sempre estivemos. Ombro a ombro nessa jornada em busca do nosso espaço. Em busca de nós mesmos. E criar aqui na Terra o lugar que queremos viver.

 


Via: Gustavo Tanaka | Um texto sobre o masculino

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