ENTENDENDO MELHOR A IMPORTÂNCIA MILENAR DOS MUDRAS…

dharma chakra mudra

O que são Mudras?

mudras (editado)

Por: Joseph e Lilian Le Page

 

Mudras são gestos feitos com as mãos ou com o corpo, que nos permitem entrar em sintonia com frequências energéticas específicas dentro do nosso ser. A palavra Mudra é geralmente traduzida como gesto ou selo, e estes dois significados vão de encontro com a propriedade essencial dos mudras. Eles são gestos que selam ou captam uma frequência energética específica. A raiz da palavra Mudra deriva de duas palavras em sânscrito. A primeira é mud, que significa encanto ou prazer. A segunda é dru, que significa produzir, gerar. Os mudras, portanto, trazem à superfície o estado inato de felicidade sempre presente dentro de nós, esperando para ser descoberta.

Os mudras que serão explorados neste capítulo são aqueles usados tradicionalmente em práticas espirituais, mas os mudras também fazem parte da comunicação e da linguagem cotidianas. Usamos mudras todos os dias na forma de gestos feitos com as mãos, com o corpo e expressão facial, que transmitem significados e atitudes além das palavras. Esses mudras cotidianos apreendem uma modulação energética ou emocional e a transmitem aos outros. Exemplos disto são os gestos de cruzar os braços ou as pernas, que dão a impressão de defesa ou de proteção. Estas práticas intrínsecas de mudra são provavelmente a origem e a base da arte e da ciência do mudra.

A ORIGEM DOS MUDRAS

A prática de mudras num contexto espiritual tem suas raízes em antigas práticas do xamanismo no subcontinente indiano e também por todo o mundo. Muitas religiões apresentam mudras de alguma forma, como pode ser visto em estátuas e pinturas de Jesus, que normalmente o representam fazendo um determinado gesto com as mãos, ou seja, um mudra. O que torna a prática dos mudras ímpar no subcontinente indiano é o quanto foi desenvolvida e com que precisão “científica” tem sido elaborada e praticada.Os mudras fazem parte da religião e da cultura Védica na Índia desde os primeiros registros da história. As cerimônias religiosas descritas nos Vedas há 5.000 anos incluem gestos das mãos juntamente com a entoação de mantras. Sons (mantra) e gestos (mudra) eram usados pelos sacerdotes (Brahmins) para conectarem-se à terra e ao cosmos, e então canalizarem estas energias para o benefício temporal e espiritual da primitiva civilização Védica. Ainda hoje, os rituais Védicos na Índia continuam a usar o mudra em suas cerimônias religiosas. O mudra também é amplamente usado na dança clássica indiana chamada Bharata Natyam, que pode ser traduzida como o Teatro da Índia. Estátuas da primitiva civilização do vale do rio Indo, de 5.000 anos atrás, mostram dançarinos fazendo gestos com as mãos, como parte integrante da dança clássica. A dança clássica indiana requer anos de treino, não só dos movimentos e gestos da dança, mas também dos princípios psicocósmicos que a dança manifesta. A dança é uma metáfora da dança e do drama da vida, assim como da busca espiritual. Os mudras utilizados na dança permitem ao dançarino canalizar determinadas energias da vida e da espiritualidade e transmiti-las aos espectadores.

A ciência do mudra foi desenvolvida plenamente durante o período Tântrico, que atingiu seu ápice cerca de mil anos atrás. Assim como o primitivo xamanismo, no qual os mudras tiveram sua origem e evolução, o Tantra é matriarcal, com enfoque na deusa Shakti, um símbolo das poderosas energias psicoespirituais do Universo. Os mudras são veículos e portais para a conexão com estas energias do universo num nível mais profundo.

MUDRAS – CANAIS DE COMUNICAÇÃO COM A ENERGIA UNIVERSAL

Embora haja apenas uma energia-fonte, esta assume muitas formas e facetas, e através da prática de mudra, entramos em sintonia com as diferentes energias que compõem o universo. São estas energias que exploramos através da prática de mudra. Como analogia, podemos tomar as ondas de rádio. Todas as ondas se originam de uma mesma fonte da natureza, mas podem ser usadas para a comunicação com uma série de canais de informação diferentes, que acessamos pelo ajuste da frequência na qual sintonizamos estas ondas. Os mudras permitem que entremos em sintonia e que depois nos conectemos com todos os diferentes canais de energia que compõem o universo. As mãos funcionam como antenas que direcionam e canalizam as energias do universo para dentro do nosso ser, e o corpo torna-se um receptor para todos os diversos aspectos da energia universal. À medida que praticamos os mudras, nossos corpos tornam-se um microcosmo daquele aspecto do universo que cada mudra evoca.

SIMBOLISMO DOS MUDRAS

A prática do Mudra faz parte do Tantra, que é incrivelmente rico em simbolismo. Na verdade, há toda uma “linguagem secreta” usada para descrever e dar instruções sobre as práticas de Tantra, incluindo o mudra. Um exemplo disto é o conceito básico de polaridade. As correntes de energia têm um polo positivo e um negativo. No simbolismo Tântrico, estes polos são descritos na forma das divindades Shiva e Shakti. Shiva representa a consciência pura, ou a energia pura, em uma forma latente. Shakti representa a energia da natureza ou matéria em uma forma manifesta. A união dessas duas divindades, ou desses dois pólos, nos dá uma imagem completa da vida como uma dança ininterrupta da consciência e da natureza.

Os mudras que passaremos a explorar são ricos neste tipo de simbolismo. Seus nomes em sânscrito contêm indícios importantes dos efeitos de cada um deles. Muitos dos mudras são dedicados a vários deuses ou divindades. Estas divindades são, na verdade, a incorporação de várias energias do universo. Elas representam propriedades e potencialidades do universo dentro e além de nós mesmos. As várias divindades da tradição Védica são normalmente representadas ao se praticar os mudras. Estas divindades são as energias que animam todos os aspectos da vida, da mente e da consciência. Os mudras são canais de comunicação com essas energias.

MUDRA – PRÉ-REQUISITOS PARA SUA PRÁTICA

Como as energias despertadas pela prática de mudra são ao mesmo tempo sutis e poderosas, a prática precisa ser conduzida com respeito e cautela, assim como todas as outras práticas do Yoga. O veículo que recebe estas energias, o corpo, deve estar preparado através do Hatha Yoga, para que possa desenvolver a sensibilidade necessária para perceber os efeitos dos mudras, assim como a força para vivenciá-los e integrá-los adequadamente. Precisamos também escolher os mudras mais apropriados para o início de nossa exploração. Estes são, normalmente, os mudras que ativam e direcionam a respiração, e são os primeiros grupos de mudras apresentados neste capítulo.

À medida que nossa prática se desenvolve, descobrimos que o mudra, assim como asana ou pranayama, é uma ciência completa, que requer estudos em profundidade. Muitos dos mudras têm potencial para nos abrir para canais de energia desconhecidos, como se estivéssemos explorando planetas novos e ainda não descobertos, cada um deles com sua atmosfera e paisagem próprias. Devemos sempre nos aproximar destes novos ambientes energéticos com calma e cautela, deixando que nosso corpo seja o guia. Nos sentimos confortáveis ao praticar este mudra em particular? A prática deve ser sempre como uma chuva fina, que nos refresca e nos alimenta, e não como um temporal assustador, com relâmpagos e trovões, que nos faz ter vontade de correr para um abrigo.

TIPOS DE MUDRAS

Há vários tipos de mudras. Os mais comuns são os mudras com as mãos, e são estes que serão enfocados neste capítulo. Há também mudras que são executados com a cabeça e com os olhos e outros que são executados com o corpo todo. Algumas das posturas do Hatha Yoga também são consideradas mudras. Um exemplo disto é a Meia Postura sobre os Ombros, que é chamada de Viparita Karani Mudra. Este nome se refere ao estado energético especial que o praticante alcança quando permanece nesta postura por um longo período. Embora algumas posturas prestem- se melhor para a conexão com estes estados energéticos, quase toda postura do Yoga torna-se um mudra quando a vivenciamos tão profundamente a ponto de sentir sua qualidade energética inerente. Estas qualidades são como marcas próprias de energia, identidades energéticas, que cada postura possui. Cada uma delas é única e nos abre para uma faceta ou um aspecto diferente da vida.

Os mudras com as mãos são inigualáveis porque permitem uma exploração totalmente abrangente de um vasto espectro de energias do universo dentro do microcosmo do corpo. Ao nos conectarmos com essas energias durante a prática de mudra, nos tornamos muito mais habilitados a senti-las e a integrá-las na prática de asana, de meditação e na rotina diária.


Via: YOGA INTEGRATIVA | O que são Mudras?

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