A PERSPECTIVA ESPIRITUAL DA ALEGORIA DA CAVERNA, DESCRITA POR PLATÃO…

Mito da Caverna

O Mito da Caverna

Por: Hugo Lapa

O MITO DA CAVERNA DO PONTO DE VISTA ESPIRITUAL

O filósofo grego Platão, no ano de 2500 A.C. descreveu, a partir dos diálogos com Sócrates, o chamado “Mito da Caverna”, ou “Alegoria da Caverna”. Para quem não conhece, o mito da caverna é uma estória que consta no volume VII da obra A República. Esse mito foi provavelmente inspirado a partir dos ensinamentos dos sábios orientais ou egípcios, os quais Platão e Sócrates tiveram contato. A alegoria da caverna descreve simbolicamente a condição humana e a jornada da alma neste mundo, um lugar de erros, de imperfeições e de escuridão. O mito nos conta a estória de homens que passam a vida inteira acorrentados com mãos, pés e cabeça dentro de uma caverna. Suas cabeças ficam presas de modo que eles só conseguiam olhar a uma parede. Atrás deles existe uma fogueira que ilumina a mesma parede. Entre os homens e o fogo há uma passarela usada por aqueles que os mantém acorrentados. Esses homens cruzam frequentemente essa passarela com estátuas de pessoas e vários outros objetos.

Desde o nascimento, esses homens se encontram nessa condição e o único contato que eles têm com o mundo é a visão dessas sombras na parede que vêm das estátuas e objetos que são conduzidos pelos homens de um lado para o outro. Eles nunca tiveram contato com a realidade fora da caverna, apenas com as sombras que são projetadas na parede e são apreciadas e encaradas como a única realidade existente. Nesse mito Platão estabelece a metáfora do mundo físico como sendo a caverna e a prisão a que todos os seres estão sujeitos. O simbolismo do mito deixa claro que os habitantes da caverna tem contato apenas com o que Platão chamou de “sombras da realidade” e não com a realidade em si mesma. O mundo material e objetivo seria constituído apenas de sombras, de aparências, mas não de uma realidade. Dessa forma, o mundo, tal como o conhecemos, é vazio.

Mas será que os prisioneiros da caverna ficam presos nela para sempre? Platão afirma que não. Em sua descrição do mito, os prisioneiros podem se libertar da caverna e andar por ela. Assim que os prisioneiros se libertam, eles têm sua visão ofuscada pela claridade do fogo. Passado algum tempo, o prisioneiro vai se acostumado com a claridade e passa a compreender a origem das sombras projetadas e como elas estavam criando ilusões e assim fabricando uma falsa realidade. Depois, o ex-prisioneiro percebe uma luz que vem do mundo fora da caverna e vai em sua direção. Assim que o prisioneiro é atraído por essa luz ele consegue finalmente sair do caverna e ver a realidade tal como ela é, e não apenas as aparências, as sombras do real projetadas na parede da caverna. Agora ele enxerga o real com o sol que ilumina todas as coisas. Tudo nesse momento tudo está claro.

O mito não se encerra nesse ponto. Platão afirma que o ex-prisioneiro, agora conhecedor da realidade, pode desejar retornar à caverna para mostrar a verdade aos seus antigos companheiros e retira-los da prisão. Assim que ele retorna à caverna, já não está mais acostumado com a escuridão e, por isso, ele parece desajeitado e até tropeça na escuridão. Por isso, seus antigos companheiros riem dele e o consideram um tolo. O homem liberto fala acerca da realidade fora da caverna e tenta mostrar aos prisioneiros que a caverna é um cativeiro e que nesse local ninguém poderá encontrar a verdade, o real, mas apenas aparências ou sombras que são vazias.

Nesse ponto, os homens que vivem na prisão não gostam das explicações do ex-companheiro, sentem-se mal com elas, ficam agressivo e podem até tentar mata-lo. Aqueles que tentam levar a luz da verdade aos que se encontram nas sombras sempre encontram a resistência dos que estão envolvidos pela escuridão e podem até sofrer represálias pela sua tentativa de libertar os prisioneiros. Esse é o exemplo de Sócrates, que por questionar as crenças admitidas em sua época, foi julgado, condenado e morto. Esse também foi o exemplo de Jesus, que pregou ao povo judeu uma sabedoria que estava além de sua época, desvelando a verdade, e por isso sua morte foi encomendada pelos judeus e aceita pelos romanos que o crucificaram. Vale ressaltar que o próprio povo pediu que Jesus fosse crucificado e que o ladrão Barrabás fosse libertado. Assim como Sócrates e Jesus, muitos outros revolucionários de determinada época foram desqualificados, agredidos, humilhados e até assassinados pelos mesmos motivos. Tempos depois a humanidade, volvendo seu olhar de volta ao passado, reconheceu a grandeza desses homens.

O homem que retorna à caverna, após ter contato com a realidade – a fim de mostrar aos prisioneiros a libertação da caverna – não é personagem único do mito da caverna. Essa mesma ideia do missionário que retorna para iluminar seus irmãos humanos é conhecido como bodhisattwa na filosofia budista. O ideal do bodhisattwa é a escolha que o iluminado faz de renunciar a sua própria iluminação a fim de regressar ao mundo mais uma vez e tentar transmitir um pouco de sua iluminação aos seres humanos. O bodhisattwa é movido por grande compaixão pela humanidade e pelo desejo de que todos os seres atinjam a mesma condição espiritual elevada que ele alcançou.

Aliás, essa parece ser uma constante na vida dos místicos. De certa forma, todos os grandes vultos espirituais da humanidade vivem no mundo por um tempo e sua experiência mundana os faz perceber o caráter efêmero e vazio do mundo. Por isso, resolvem renunciar ao mundo a fim de encontrar algo que está além do mundo. Nesse sentido, passam um tempo em reclusão, solitários, em estado contemplativo, buscando interiormente a verdade que o mundo já não pode oferecer. Posteriormente eles atravessam uma série experiências que os fazem atingir um cume de autorrealização. Depois esses indivíduos sentem que precisam retornar ao mundo, pois o mundo precisa deles e porque eles anseiam que outros se libertem do mundo, tal como eles fizeram. Esse período de desligamento do mundo, reclusão e retorno ao mundo para a transmissão de uma mensagem é comum a diversas formas de misticismo. Tanto Jesus quanto Buda viveram em recolhimento interior antes de iniciarem sua missão. No Xamanismo também há um tempo de renúncia ao mundo e ao contato com a tribo, onde o xamã deve passar por uma série de experiências, para só depois retornar ao mundo como um xamã formado.

A interpretação espiritual do mito da caverna diz respeito a ascensão da alma que segue da prisão mundana em direção à luz espiritual. A caverna é, como já dissemos, o campo do mundo, o existir na matéria. A escuridão da caverna representa a ausência do plano divino na Terra e a cegueira dos seres humanos sobre a verdade. As imagens projetadas na parede que formam as sombras seriam as formas e os fenômenos do mundo, assim como os acontecimentos humanos. As correntes que prendem as mãos e a cabeça dos homens obrigando-os a olhar apenas para frente simbolizam as limitações do nosso corpo físico e dos órgãos sensoriais. O julgamento, os conceitos, as imagens mentais, o pensamento, tudo isso fica prejudicado pelos limites de nossa visão que observa apenas a caverna. A chama dentro da caverna é o símbolo da alma aprisionada na escuridão e condicionada pelas sombras projetadas, focalizando apenas um pequeno fragmento da realidade. A soltura das correntes das mãos, pés e cabeça que nos obriga a olhar apenas para frente representa a primeira libertação da alma da força e do domínio do mundo.

Depois disso, a alma pode contemplar os outros lados, olhar em diversas direções e não apenas para frente e, assim, entender o mecanismo da caverna (do mundo), como ela funciona e porque estamos presos nela. Esse é o primeiro indício de desenvolvimento da consciência dentro do engrenagem ilusória do mundo. Depois o homem pode andar pela caverna e experimentar todas as sensações e percepções sobre a forma de funcionamento da caverna (do mundo) que antes o aprisionava. Depois ele contempla uma luz que vem do mundo fora da caverna. A luz que vem de fora representa o mundo espiritual visto do mundo físico, onde as pessoas vislumbram apenas uma pequena faceta da luz divina e, por isso, podem ter interpretações bem diferentes do plano do espírito, do real, da essência, etc. O caminho ascendente que leva em direção a essa luz é, no dizer de Platão, a ascensão da alma. Quanto mais o homem sobe essa ladeira que o conduz à luz e ao mundo fora da caverna, mais ele está próximo da verdade e do real. Isso representa os diversos estados de consciência, mais elevados ou menos elevados. Quanto mais próximo da luz fora da caverna, mais galgamos em consciência e na percepção da realidade.

No momento em que atingimos a luz e adentramos nela, esse é o momento que os orientais chamam de “iluminação espiritual”. Após a iluminação, passamos a viver no mundo externo à caverna, é o mundo onde tudo está maravilhosamente iluminado pelo sol e onde podemos ver as coisas como elas são. O sol aqui representa obviamente o divino em sua mais pura expressão. Antes de chegar ao mundo que existe fora da caverna, o ex-prisioneiro que se libertou vai aos poucos observando tudo e se acostumando com a nova realidade. Mas este encarar as coisas como são é algo quase sempre dolorido, sofrido, penoso. Se uma pessoa passa horas e horas no escuro, acostumar-se novamente com a luz acaba sendo algo bem difícil, que ofusca sua visão. Esse processo de enfrentar o real é o que se chama no espiritualismo das “provas do caminho espiritual”, as provações que todas as almas devem ser submetidas em sua ascensão. O desenlace das correntes, o início da caminhada na caverna, a visão do funcionamento da caverna tal como ela é, o início da subida para fora da caverna e o contato com a luz que vem de fora, tudo isso são momentos de grande provação para a alma que anseia a libertação.

Todos nós, seres humanos, estamos vivendo dentro dessa caverna, atados e olhando apenas as sombras do real. Só depende de você, de sua escolha consciência, realizar essa libertação.

(Hugo Lapa)
Tratamento Espiritual a distância com Captação Anímica
Terapia de Vidas Passadas
lapapsi@gmail.com


Via: O Mito da Caverna | Terapia de Vidas Passadas

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