SOBRE A ASCENSÃO DE MÃE MARIA…

L'assomption de la vierge - Peter Paul Rubens_1615

Assunção da Virgem. 1616. Por Rubens, atualmente nos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica.

 

Texto compilado por: Cida Pereira

A Assunção da Virgem Maria, foi definida dogmaticamente pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950 na constituição apostólica Munificentissimus Deus, incluindo no texto a seguitne frase “tendo completado o curso de sua vida terrestre, foi assumida, de corpo e alma, na glória celeste”.

Ainda que as Igrejas Católica e Ortodoxa acreditem na Dormição de Maria, que é o mesmo que a Assunção, a morte de Maria não foi definida dogmaticamente.

Embora a Assunção (em latim: assūmptiō – “elevado”) tenha sido definida em tempos relativamente recentes como um dogma pela Igreja Católica, relatos apócrifos sobre a assunção de Maria ao céu circulam desde pelo menos o século IV. Também muito primitivas são as diferentes traduções das “Narrativas da Dormição dos ‘Seis Livros'”. Apócrifos posteriores que se basearam nestes textos mais antigos incluem o “De Obitu S. Dominae”, o “De Transitu Virginis” e o “Transitus Mariae”.

A Igreja Católica, no entanto, jamais afirmou ou negou que esse dogma tenha se baseado em relatos apócrifos, não fazendo nenhuma menção nos documentos eclesiásticos sobre o assunto.

A doutrina da Assunção de Maria se tornou amplamente conhecida no mundo cristão, tendo sido celebrada já no início do século V e já estava consolidada no oriente na época do imperador bizantino Maurício por volta de 600.

Dessa mesma época, temos documentos da festa da Assunção no dia 15 de agosto, enumerada junto com as festas da Natividade, da Apresentação, da Anunciação e da Purificação de Maria.

Até os dias de hoje, a Assunção é geralmente celebrada em 15 de agosto.

VERSÃO APÓCRIFA

Das várias versões apócrifas sobre a Ascensão de Maria a narração que, segundo alguns, foi erroneamente atribuída a José de Arimatéia é a mais divulgada e conhecida.

Segue aqui um resumo por mim adaptado com os principais trechos dela:

Passagem da bem Aventurada Virgem Maria

Dentre as muitas coisas que a mãe perguntou ao seu filho durante aquele tempo que precedeu a paixão do Senhor, figura a referente à sua passagem, sobre a qual começou a perguntar-lhe nestes termos: “Ó caríssimo filho, rogo à tua Santidade que, quando chegue o momento que minha alma tenha de sair do corpo, me faças saber com três dias de antecedência; e então Tu, querido filho, encarrega-te dela na companhia de teus anjos.”

Ele, de sua parte, acolheu a súplica de sua querida mãe e disse-lhe: “Ó habitação e templo de Deus vivo, ó mãe bendita, ó rainha de todos os santos e bendita entre todas as mulheres, como sabes, antes de me carregares em teu seio guardei-te continuamente e te alimentei com meu manjar angélico. Como irei abandonar-te depois de me haveres gestado e alimentado, depois de me haveres levado na fuga ao Egito e haveres sofrido por mim tantas angústias? Fica sabendo, então, que meus anjos sempre te guardaram e te seguirão guardando até o momento da tua passagem. Mas, quando me vires vir ao teu encontro na companhia dos anjos e dos arcanjos, dos santos, das virgens e de meus discípulos, podes estar certa então de que chegou o momento em que tua alma será separada de teu corpo e transportada por mim ao céu, onde nunca experimentarás a mínima atribulação ou angústia”

Durante o segundo ano a partir da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, Maria costumava entregar-se assídua e constantemente à oração de noite e de dia. Na antevéspera de sua morte recebeu a visita de um anjo do Senhor, o qual entregou-lhe uma palma dizendo-lhe ter sido enviada por Jesus e que em três dia ocorreria a sua Ascensão, ao que ela recebeu com grande alegria e gratidão.

Chamou então José de Arimatéia e os outros discípulos do Senhor. E quando eles estavam reunidos, assim como seus próprios conhecimentos e mais chegados, anunciou a todos a sua iminente passagem. Preparou-se então e ficou esperando a chegada do seu Filho, conforme Ele lhe havia prometido. Tinha ao seu lado três virgens: Séfora, Abigail e Zael. Mas os discípulos de Jesus  estavam já nessa época dispersos, em pregações, pelo mundo inteiro.

Naquele momento (era então a hora terceira), enquanto a rainha Maria estava em seus aposentos, produziram-se grandes trovões, chuvas, relâmpagos, perturbações e terremotos. O apóstolo e evangelista João foi transportado de Efeso; entrou no quarto onde se encontrava a Maria e saudou-a, que levantando-se, deu-lhe um beijo.

E, quando se dispunha a perguntar-lhe de onde vinha e por que razão se havia apresentado em Jerusalém, eis que (de repente) todos os discípulos do Senhor, exceto Tomé, o chamado Dídimo, foram levados numa nuvem até a porta dos aposentos onde estava Maria. Então, pararam e depois entraram e saudaram-na. Ela então levantou-se, solícita e, inclinando-se, foi beijando-os e deu graças a Deus.

Então Maria disse aos seus irmãos: “A que se deve terem todos vindo a Jerusalém?” Pedro respondeu: “Tu nos perguntas, sendo que era a ti que deveríamos perguntar? Por mim tenho certeza que nenhum de nós conhece a razão pela qual apresentamo-nos aqui tão velozmente. Estava em Antioquia e agora encontro-me aqui”.

E todos foram indicando o lugar onde haviam estado naquele dia, ficando surpreendidos e cheios de admiração por se verem ali presentes ao escutar tais relatos.

Então Maria disse-lhes: “Antes de meu filho sofrer a paixão, eu roguei que tanto Ele quanto vós todos assistísseis a minha morte, e essa graça foi-me outorgada. Por isso sabereis que amanhã terá lugar a minha passagem. Vigiai e orai comigo para que, quando o Senhor venha encarregar-se da minha alma, vos encontre velando”. Então empenharam sua palavra de que permaneceriam vigilantes. E passaram toda a noite em vigília e em adoração, entoando salmos e cantando hinos, acompanhados de grandes luzes.

Chegando o domingo, e a hora terceira, Cristo desceu acompanhado de uma multidão de anjos e recebeu a alma de sua querida mãe, E enquanto os anjos entoavam uma passagem do Cântico dos Cânticos, sobreveio tal resplendor e um perfume tão suave, que todos os presentes caíram sobre seus rostos, e durante hora e meia ninguém foi capaz de levantar-se.

Então os apóstolos, atraídos pela enorme claridade, levantaram-se e começaram a passagem do santo cadáver do monte de Sião até o vale de Josafá.

Lá chegando, os apóstolos depositaram o corpo no sepulcro com todas as honras e puseram-se a chorar e a cantar, devido ao imenso amor e doçura que sentiam. Imediatamente viram-se circundados por uma luz celestial e caíram prostrados, enquanto o santo cadáver era levado aos céus pelas mãos dos anjos, sem que o percebessem.

Então,Tomé sentiu-se repentinamente transportado até o monte das Oliveiras, e, ao ver que o bem-aventurado corpo dirigia-se aos céus, começou a gritar dizendo: “Ó santa mãe, mãe bendita, mãe imaculada, se aos teus olhos encontrei a graça, já que me é dado o privilégio de contemplar-te, alegra o teu servo, pois estás a caminho do céu” E no mesmo instante a faixa com que os apóstolos haviam cingido o corpo santíssimo foi arremessada do alto a Tomé, que, ao recebê-la entre suas mãos, beijou-a e, dando graças a Deus, retomou ao vale de Josafá.

Lá chegando encontrou todos os apóstolos e uma grande multidão. Ao se aproximar, cumprimentando-os, Tomé perguntou então: “Onde colocastes o seu corpo?” Eles apontaram o sepulcro. Mas ele replicou: “Não, ali não está esse corpo que é chamado santíssimo”. Suas palavras foram confrontadas por Pedro em função de sua já conhecida incredulidade, demonstrada quanto à ressurreição de Jesus, mas insistiu dizendo: “Não está aqui”. Então, encolerizados, aproximaram-se do sepulcro, que havia sido recém-escavado na rocha, e afastaram a pedra; mas não encontraram o cadáver, fato que os deixou sem saber o que dizer ao verem-se vencidos pelas palavras de Tomé.

Depois Tomé contou-lhes como se encontrava celebrando a missa na Índia. Estava ainda vestido com os paramentos sacerdotais, quando, sem entender porque, se viu  transportado ao monte das Oliveiras e teve a oportunidade de ver o corpo de Maria que subia ao céu; e rogou-lhe que lhe outorgasse uma bênção. Ela escutou sua prece e atirou-lhe a faixa com a qual estava cingida. Então ele mostrou a faixa a todos.

Os apóstolos, ao verem a faixa que eles mesmos haviam colocado, deram glória a Deus e pediram perdão a Tomé, comovidos pela bênção que lhe havia sido dada por Maria e pelo privilégio de ter contemplado seu santíssimo corpo subir aos céus. Então Tomé abençoou-os dizendo: “Sintais que bom e agradável é o fato de os irmãos poderem viver unidos entre si”.

E a mesma nuvem que os havia trazido levou cada um de volta ao seu respectivo lugar e os apóstolos foram rapidamente devolvidos ao lugar onde se encontravam antes para evangelizar o povo de Deus.


Fontes:
. Wikipédia, a enciclopédia livre | Assunção de Maria
. FRANCISCANOS | Imaculada Conceição de Maria| Elevada ao céu em corpo e alma
. ARTIGOS ESPÍRITAS – JORGE HESSEN | A.Clássicos|A BÍBLIA SAGRADA E OS EVANGELHOS APÓCRIFOS – GRÁTIS PARA DOWNLOAD | Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria (Narração Erroneamente Atribuída a José de Arimatéia)

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