QUANDO MORREMOS, SOMOS AMPARADOS COM TODO AMOR NO PLANO ESPIRITUAL…

EdvardMunch-Melancholy

Perda dos Entes Queridos

Por Guilhermina Batista Cruz

 

A dor causada pela perda dos entes amados atinge a todos nós com a mesma intensidade. É a lei da vida a que estamos sujeitos. Quando nascemos, nossa única certeza absoluta no transcorrer da vida será a de que um dia morreremos. Não há como fugir a esta realidade.

A morte não faz parte de nossas preocupações imediatas. Vamos levando a vida sem pensarmos que um dia morreremos, aí, quando menos esperamos, ela nos bate à porta arrebatando-nos um ser amado e então, sentimo-nos impotentes diante dela e o pensamento de que ”nunca mais o verei”, aumenta mais nossa dor.

Algumas pessoas sentem com maior intensidade a perda do ente amado, demorando a se recuperar da dor pela partida daquele ente querido. Principalmente, se a morte ocorreu repentinamente, de uma forma brusca, como acontece em desastres ou através da violência. Existem também pais que perdem seus filhos em tenra idade, quando começavam a sonhar para eles um futuro promissor.

Com a perda vem a tristeza e a revolta: “Por que meu filho morreu tão cedo? Era preferível a morte ter me levado no lugar dele, pois já vivi muito enquanto ele não teve tempo de viver”, e por aí seguem tantas outras exclamações contra a partida daquele ser tão querido. Então, vem a procura, a busca de um consolo que possa realmente acalmar e levar um pouco de tranqüilidade ao espírito, e vem a indagação que tanta angústia traz ao coração: “Onde meu filho estará agora? Só queria saber se ele está bem, como se sente.”. Começa, então, a procura por notícias, o afã de saber o paradeiro daquele que se foi para nunca mais, segundo a visão acanhada que se tem de “vida” e de “morte”.

A possibilidade da comunicação com o ser querido leva muitas pessoas a desejarem, a todo custo, uma mensagem, uma palavra que possa proporcionar-lhes a aceitação do ocorrido ou que lhes minore a enorme saudade que sentem.

É muito gratificante, através do intercâmbio espiritual, sabê-los felizes, certificando-se, através de relatos deles próprios com detalhes de sua nova existência, que eles continuam ligados aos familiares pelos laços indestrutíveis das afeições sinceras.

No entanto, é necessário precaver-se contra a urgência desenfreada de se obter, a qualquer custo, principalmente em pouco tempo de desencarnação dos entes queridos, a comunicação tão desejada com o intuito de acalmar o coração saudoso.

Sabemos que a comunicação em pouco tempo de desencarne não é totalmente impossível, mas não é recomendável, visto o espírito encontrar-se num estado de adaptação a sua nova vida e de sentir-se ainda fortemente ligado às vibrações materiais. A precaução deve ser necessária, pois, no afã de obtê-las a qualquer custo, corre-se o risco de procurar-se meios indevidos para tais comunicações, que, não os colocando em sintonia com os seres amados, mais tempo os afastarão deles.

O cuidado é necessário, pois no desejo de obter-se a comunicação, a pessoa incauta pode ser vítima de mistificações de falsos médiuns, devendo por isso mesmo, certificar-se da idoneidade das pessoas para que tal comunicação se dê a contento.

A mediunidade não deve ser encarada como um dom nosso, e sim, um dom, a nós, dado por Deus, uma ferramenta de trabalho em benefício não só do próximo como do próprio médium, pois se bem utilizada é uma ponte para a evolução de nosso ser.

Mas a paciência para se obter a comunicação deve ser levada em conta, pois existem barreiras dos dois lados que podem adiar por um bom tempo o tão sonhado intercâmbio.

A desencarnação requer um período de adaptação ao mundo espiritual a que o espírito se submete com a ajuda de amigos espirituais abnegados. E se ele estiver ainda no estágio de adaptação, tais comunicações poderão mostrar-se inadequadas para o momento que ele atravessa, portanto, requerendo um período bem maior para que possa realizar-se com mais eficácia.

Em casos extremos, pode acontecer do desencarnado, ao ver o estado de sofrimento dos familiares com a sua partida, pedir aos espíritos responsáveis por sua adaptação ao mundo espiritual para ir acalmar-lhes os corações.

O tempo também é diferente entre as duas dimensões, ou seja, segundo os espíritos eles não sentem o tempo como nós, podendo um período de dois anos tornar-se um tempo longo para os familiares ao desejarem a comunicação, enquanto para os espíritos, levando-se em conta, principalmente, a evolução espiritual dos mesmos, ser um tempo bastante curto.

A comunicação mediúnica para atender irmãos desencarnados, sofredores ou não, requer um preparo todo especial para o seu desempenho, tanto na dimensão material quanto na espiritual. Desde cedo, os irmãos responsáveis para que tais comunicações se processem, já começam o preparo, com antecedência, dos médiuns que irão atender aos espíritos, baseando-se principalmente na sintonia espiritual existente entre encarnados e desencarnados, ligando cada espírito ao médium que melhor possa se adequar à comunicação.

Por isso não é fácil, para quem é médium, dar notícias desse ou daquele desencarnado para as pessoas que os procurem para obter a comunicação.

Muitas vezes, os espíritos dos entes queridos vêm nos visitar e nós não damos por isso, ou mesmo, durante o sono, nosso espírito vai se encontrar com o dele, vai visitá-lo, e não guardamos lembrança de nada, a não ser uma saudade, uma lembrança dele que não sabemos nem porque nos vem tão repentinamente.

O que sabemos através dos ensinamentos espirituais, é que todos nós ao fecharmos nossos olhos para a vida material e nos transferirmos para a vida espiritual, ficaremos num sono, numa espécie de torpor, recebendo todo o amparo e ajuda de equipes espirituais para nos desfazermos das vibrações materiais com maior rapidez.

Então, esse período para o espírito é de fundamental importância, requer daqueles que ficaram, o amparo da prece e de vibrações de amor e de que seus sofrimentos não ultrapassem aquele da saudade, sem extrapolar para a revolta com os desígnios de Deus.

O importante é atentarmos que o desencarnado requer um tempo para se reconhecer. Muitas vezes eles não se sentem mortos, sentem-se como se estivessem num sonho; ficam sem entender o estado em que estão, sentem-se diferentes, não se enxergam sem o corpo físico e ficam desorientados.

Esse estado de perturbação acontece principalmente com quem desencarna de forma abrupta ou violenta, como costuma ser em casos de desastre. Mas, esses irmãos não ficam sozinhos nunca. É preciso que saibamos disso: os espíritos responsáveis por eles estão junto esperando que as vibrações materiais mais grosseiras se desfaçam, cuidando com todo o carinho para que eles possam se adaptar ao novo estado.

A adaptação em maior ou menor tempo para os espíritos, depende da evolução ou do conhecimento que tenham tido das realidades espirituais, pois aquele que em vida já tenha se libertado de muitos “apegos” da matéria, conseguirá uma adaptação e um despertar mais rápido do que aquele que vivia preso às coisas materiais e sem o conhecimento da realidade espiritual.

De qualquer forma, o que proporcionará realmente uma lucidez rápida a todos é o dever cumprido, é saber que procurou ou tentou fazer alguma coisa e o que fizemos de útil em favor do próximo e do mundo onde passamos nossa existência como encarnados.

Quando os desencarnados despertam realmente, ficam surpresos com as “novas coisas“ desse mundo onde recomeçam daí por diante sua caminhada. Então, ainda se adaptando ao mundo em que para alguns era improvável existir e sem o corpo físico para a perfeita comunicação de suas idéias, sentem-se perdidos e não sabem como poderão se comunicar adequadamente com seus familiares para dizer-lhes que continuam mais “vivos” do que nunca.

As primeiras comunicações de quase todos os espíritos desencarnados requerem sempre a ajuda de um amigo que os acompanhe no mundo espiritual. Muitas vezes, esses amigos é que os ajudam com as palavras a serem transmitidas aos seus familiares.

Muitos deles podem se sentir fracos e requerem todo o amparo dos amigos para seu intento. A vibração material também se torna um incômodo para eles, pois ao contato com ela, as emoções que, até então se encontravam num estado mais equilibrado, sofrem a influência do ambiente. Por isso é necessário um médium equilibrado para que a transmissão possa ocorrer sem problemas; é preciso todo cuidado, principalmente se as comunicações se processam através da psicofonia, que é a mediunidade da fala ou, como é comumente denominada, da incorporação, onde o médium chega às vezes a sentir com bastante intensidade dores e sensações “físicas” experimentadas pelos espíritos.

Para ilustrar sobre o processo de desencarne, transcreverei alguns trechos do livro “O Mundo Que Eu Encontrei”, psicografia do espírito Luiz Sérgio, captada por Alayde de Assunção e Silva, que nos oferece um exemplo de como o desencarnado enfrenta a entrada no mundo espiritual e a necessidade que sente de se comunicar com seus familiares.

“Luiz Sérgio nasceu no Rio de Janeiro em 17 de novembro de 1949 e em 1960, transferiu-se com seus familiares para Brasília. Desencarnou num desastre de automóvel quando de regresso de uma viagem que fizera a São Paulo para assistir a primeira corrida de Fórmula 1 no autódromo de Interlagos.

Na época de seu desencarne ele estava com 23 anos. Seus pais procuravam por consolo e conformação com sua partida repentina, até que, quatro meses após seu desencarne , receberam a primeira mensagem dele através da psicografia de Alayde de Assunção, que era prima em segundo grau de Luiz Sérgio.

Daí por diante ele enviou várias outras mensagens que os pais transformaram em livros, que atualmente servem não só de consolo como de orientação sobre vários assuntos de interesse de todos, com a visão lúcida e sincera das narrativas de Luiz Sérgio sobre seu trabalho no mundo espiritual.”

No início do livro os pais de Luiz Sérgio deixam uma mensagem sobre sua perda com o seguinte teor:

“Nossa história não é diferente das de quantos têm perdido seus entes queridos, seja de forma violenta, seja após um curto ou longo processo de doença. Nós os amamos e o maior sofrimento que se segue ao acontecido resume-se no fato de acharmos que os perdemos para sempre, que nunca mais os teremos de volta. A nossa vida sem eles passa a ser um vazio, uma lacuna que não sabemos como preencher. Se temos uma formação religiosa, voltamo-nos para as orações, procurando amenizar nossa dor, sem chegarmos, porém, a compreender os desígnios do alto. O tempo, pouco a pouco, vai cicatrizando a ferida e projetando novas esperanças no longo e penoso caminho que temos a percorrer.

No nosso caso, Deus reservou-nos o filho mais novo como alimento dessas esperanças e fez revigorar a nossa fé com o dealbar de um novo dia, quando recebemos a primeira mensagem daquele que havíamos perdido quatro meses antes. Tivemos a perfeita sensação de sua presença e suas palavras ressoaram nítidas, como se ele próprio ali estivesse contando tudo aquilo. Outras mensagens vieram, complementando a primeira, trazendo a narração de sua vida no mundo que ele encontrou.”

Trechos das mensagens de Luiz Sérgio sobre sua desencarnação e sobre o “mundo” que encontrou:

“Veja você que só agora pude vir a escrever e dar notícias daqui. Ainda estou meio embaraçado com a nova vida. Tudo mudou; o que já não era voltou a ser e o que era já não é mais, ainda vai ser. Compreendeu?”

“É difícil para a gente se adaptar. Mas já consegui muita coisa. Estou aqui para dar notícias. Estive na casa da Valquíria, mas ela não me percebeu e não tive como fazer-me notar. Lembrei-me de que você era espírita e que podia me entender. É bom a gente poder comunicar-se com os vivos. Lembra-se muita coisa. Eu já pude comunicar-me com os meus pais através de pessoas que são como você. Hoje, já não tenho mais medo de atrapalhar-me, porque entendi que tudo não passou de uma transformação e que o choque sofrido não podia ter conseqüência grave para mim, porque ele foi físico. Eu agora não tenho mais corpo físico, mais ainda tenho corpo. Interessante observar as propriedades deste corpo. São inteiramente diversas, no campo físico, das que tinha antes. Se dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço, agora podem, já que eu posso me incorporar em “massa física”.”

“(…) Não é fácil a gente se acostumar com o novo corpo. Novo é a maneira de dizer, porque eu já o possuía em estado latente. Assim que fiquei sem o corpo físico ele se formou sobre o molde mental. É um fato que precisamos dar a conhecer aos outros. Como ninguém percebe que isto acontece. Estuda-se tanto e no fim morre-se ignorando as coisas principais…”

“(…) Imagine que quando morri, logo levantei-me e pensei que tinha acordado de um desmaio. Não me ocorreu olhar para trás e ver meu corpo estendido. Procurei os outros e, quando vi meu companheiro ferido, quis buscar socorro. Corri para minha casa, depois em busca dos colegas e só muito depois entendi que já não era mais ouvido e que tinha morrido. Creio que tive um choque pensando em minha mãe. Foi pena, porque ela sofreu muito e ainda sofre.”

”Entretanto, fiz tudo o que eu podia para dizer-lhe que eu estava vivo. A vibração de minha palavra não se transmitia pelo ar pesado, mas por outro ar mais leve que entremeia a atmosfera, porém os ouvidos do corpo não acusam recebimento. Ela não consegue atuar nos nervos ou no aparelho auditivo do corpo físico. Depois eu entendi tudo isso. É como se houvesse uma duplicata do mundo, feita de material menos denso, mais leve, ou, talvez, uma outra forma de matéria. Ainda não sei muito bem. Já fiz muitas observações com pessoas mais cultas que me podem explicar melhor. Logo compreendi como podia comunicar-me com certas pessoas que conseguem entender o pensamento. Você deve saber que eu não estou escrevendo naturalmente. Eu me liguei ao seu cérebro e atuo sua mão como se fosse escrever. Imagino todas as letras e você as escreve. Muito interessante mesmo. Creio que é mais fácil do que se eu próprio escrevesse.”

“Nada deixei no plano físico que me fizesse falta aqui, porque possuo tudo aquilo de que preciso. Encontrei amigos, parentes e outras pessoas que diziam conhecer-me, mas eu não lembro delas. Acordo de manhã com o sol e me deito à noite com a escuridão. Vejo o luar. E também há água! Um pouco diferente, porque é mais leve. É suave ao tomarmos. Não sei se a constituição dela é H2O. Aliás, nem sei se respiro oxigênio.”

“Quantas vezes desejaríamos deixar uma informação oportuna aos entes queridos que estão na Terra, ainda encarnados, e não encontramos meios de o fazer. A intuição simples nem sempre é assimilada, pois normalmente habitual aos encarnados é que lutem pelo que na sociedade é considerado importante adquirir. Como nem sempre a estrutura espiritual dos níveis das criaturas se mede com os mesmos pesos que os da sociedade, não há assimilação possível, se faltar o alerta espiritual sob a forma de educação nesse sentido. É preciso que todos nós nos enfronhemos nas verdades eternas daquilo que em nós é eterno – o ESPÍRITO.”

“Cada pessoa enfrenta a “morte” de maneira diferente. Porém, as fases são quase as mesmas para todos. Segundo nosso mentor, há os que são apressados, impacientes, que querem livrar-se logo do sofrimento físico e acabam carregando consigo muita mácula para expurgar depois. Há os que são por demais agarrados ao plano físico e tentam ludibriar os encarregados da operação, para permanecerem mais algum tempo no corpo. Estes têm sofrimento mais longo e também saem desiludidos, sem esperança e realmente cansados. Como se retiram com revolta, porque desejam ficar, então, sofrem duplamente. Há os que são expelidos do corpo porque este, de repente, deixou de ter condições de servi-los, como aconteceu comigo, que não me apercebi, naquele momento, que havia desencarnado.”

“Quando desencarnei, não notei de pronto que já era só espírito, tal a realidade absoluta de tudo o que me rodeava. Apenas não podia fazer-me entender pelos encarnados. Foi essa a primeira coisa que me fez pensar na hipótese de ser espírito.”

“Quando desencarnei, não pensei em nada além ou diferente da idéia dominante de avisar aos meus o que havia acontecido. Depois que desconfiei que desencarnara, então, perturbei-me um pouco, mas havia tanto o que fazer que não pude parar para pensar. Quando parei, aí comecei a me sentir atordoado e cambaleante. Pensei em Deus, em Espíritos Protetores e mentalizei um pedido de socorro. Imediatamente me senti amparado por dois irmãos que vieram, não sei de onde, e que me conduziram para um justo repouso. Se eu não tivesse rogado a proteção divina, não teria conseguido tão rapidamente o auxílio de que necessitava. Ter-me-ia privado desse grande benefício. Quando se é acudido logo, sofre-se menos. As impressões do corpo demoram a desaparecer e nem sempre conseguimos.”

“(…) Minha grande preocupação é fazer vocês todos crerem na continuação da vida depois do desaparecimento do corpo. Isso é de uma importância inimaginável. Se pudéssemos avaliar a necessidade que temos de compreender a eternidade de nosso espírito e a realidade da vida espiritual estaríamos contribuindo grandemente para maiores facilidades de adaptação ao Plano em que agora vivo.”

Enfim, estejamos certos que nossos entes amados prosseguem sua caminhada na dimensão em que ora se encontram e só esperam de todos a compreensão e o carinho para seu fortalecimento. E que, quando possível, haverão de nos dar alguma notícia, mesmo que em sonhos; e quando a saudade apertar, através da prece poderemos enviar-lhes bálsamos de amor que muito os beneficiarão.

Paz e luz a todos!


Autor Guilhermina Batista Cruzguilherminabcruz@bol.com.br
Texto revisado por
Cris

 
Fonte: SOMOS TODOS UMClube STUM

Perda dos Entes Queridos – Parte 1 – Guilhermina Batista Cruz | Artigos do Clube
Perda dos Entes Queridos – Parte 2 – Guilhermina Batista Cruz | Artigos do Clube
Perda dos Entes Queridos – Parte 3 – Guilhermina Batista Cruz | Artigos do Clube

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